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Recuperação judicial no agronegócio: benefícios e como crescer depois

Em um setor em que a colheita paga a próxima safra, a RJ pode dar fôlego para o produtor se reorganizar e voltar a investir

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Quando as dívidas pesam mais do que o caixa, a Recuperação Judicial (RJ) permite renegociar com os credores sem parar a produção. No agronegócio, onde uma safra ruim ou uma queda de preço pode abalar até quem trabalha bem, esse tempo extra pode ser o que separa uma crise passageira de um problema sem saída.

O que o caso da Ruiz Coffees mostra

O pedido de RJ do grupo Ruiz Coffees, uma das maiores produtoras de café do país, mostra como isso acontece. O grupo, com dívidas de cerca de R$ 1,6 bilhão, atribui a crise a três safras seguidas prejudicadas pelo clima: geada, calor extremo na florada e seca. As perdas ficaram entre 14% e 28% do que se esperava colher e, com três safras abaixo do esperado, faltou dinheiro para tocar os ciclos seguintes.

Nesse tempo, o preço do café subiu, mas parte da produção já tinha sido vendida antes da alta, então o ganho não chegou ao caixa. Juros altos e crédito mais difícil completaram o cenário. Foi nesse momento que a RJ entrou em conta, a Justiça suspendeu as cobranças e reconheceu a importância do café produzido pelo grupo.

Como a RJ protege a operação?

Na prática, a empresa ganhou tempo para negociar sem ver a operação ser interrompida no meio da safra mesmo que o pedido ainda seja analisado pela Justiça.

De todo modo, esse é o principal benefício da Recuperação Judicial: em vez de cada credor cobrar por conta própria, as dívidas são renegociadas em um plano único, com prazos e condições que a empresa consegue cumprir. Enquanto isso, a produção, os empregos e os contratos continuam funcionando.

No agro, alguns cuidados fazem diferença:
  1. Respeitar o calendário da safra: os pagamentos precisam acompanhar o momento em que o dinheiro entra, e não uma parcela fixa todo mês.
  2. Conhecer bem as dívidas: nem todas entram na recuperação. No caso do grupo cafeeiro, quase metade do total ficou de fora, principalmente dívidas ligadas a terras dadas em garantia.
  3. Proteger o que move a operação: máquinas, armazéns e áreas de plantio precisam ser preservados.
  4. Cuidar das parcerias: a relação com fornecedores, cooperativas e compradores faz parte da recuperação.
E depois da RJ?

O caso recente da Americanas mostra que depois do plano aprovado em 2024 ser cumprido, as ações da empresa fecharam em alta de 15,6%. Com as dívidas reorganizadas e o plano cumprido, a empresa recupera a confiança do mercado e volta a ter condições de pedir crédito, firmar parcerias e investir, sem pressa e com planejamento.

No fim, o ideal é sempre buscar orientação antes que a situação financeira de um negócio se agrave. Quanto mais cedo a análise das dívidas, mais caminhos existem, da negociação direta com os credores até a recuperação judicial. E, por aqui, a equipe do PRSM Advogados acompanha produtores e empresas do agronegócio na avaliação de cada cenário e na busca da solução mais adequada à realidade de cada operação.

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